manifesto

 

Glocalmusic é uma agremiação de fazedores de cultura – músicos e artistas, criadores, pesquisadores, formadores – para o desenvolvimento da criatividade musical, entendida como liberdade criativa total, porquanto a criatividade radica na liberdade e é o seu garante.                                                                                                        

 

GLOCALMUSIC propõe-se a


1. Prosseguir o desenvolvimento de estratégias e a disponibilização de meios de produção e recepção – junto dos seus públicos, associados e colaboradores – que conduzam a uma verdadeira democratização musical, artística e cultural, nos domínios do sentir e do pensar, do saber e do saber fazer, do imaginar e do poder fazer, do poder ouvir e do poder fazer-se ouvir.

2. Privilegiar, na sua acção, a experimentação e o que é experienciado de modo vivencial, seguindo o princípio de que todos os seres humanos (pelo menos esses), são naturalmente dotados de capacidades musicais e artísticas.

3. Defender o artesanato musical, assim como a música doméstica e electrodoméstica.

4. Promover e desenvolver a música repentista, nas suas diversas práticas improvisativas, da improvisação livre à improvisação estruturada, e atendendo às suas diversas práticas expressivas populares e urbanas.

5. Desenvolver a música clástica (sedimentária e reciclada), proporcionada pela comunicação rizomática da fruição estética e da osmose cultural, à escala glocal, e estudando as mais diversas práticas expressivas, sejam elas populares e urbanas ou institucionalizadas.

6. Seguir como princípio orientador a interdisciplinaridade, explorando as possibilidades da sinestesia, pensando a música na sua relação com outras artes (as artes performativas, as artes urbanas e de rua, as artes visuais e o cinema, a poesia) e na sua relação com as ciências. Fazer uso ostensivo dos meios tecnológicos (multimédia, informática, telecomunicações, tecnologias do som, etc.). Aprender com as máquinas, seus ritmos e tantas outras expressões idiomáticas.

7. Adoptar uma actividade exploratória que passa pela invenção de novos instrumentos sonoros, pela criação de instalações sonoras, pela exploração de paisagens sonoras, pelo aproveitamento das fontes sonoras disponíveis em qualquer ecossistema sonoro, natural ou urbano. Alargar a atitude exploratória à música surda e ab-surda, seja lá o que isso for.

8. Valorizar a música incidental. Explorar a música (em conjugação com outras artes do tempo e do movimento), através dos seus efeitos potenciadores de estados de consciência e de atracção pessoal e interpessoal.

9. Adoptar e desenvolver as diversas técnicas composicionais contemporâneas – nomeadamente na senda das chamadas músicas concreta, electrónica, acusmática, improvisada, conceptual, etc. – assim como a música casuística e outras formas de música experimental, submetendo-as ao princípio geral do edonismo criativo.

10. Desenvolver actividade no domínio da formação artística e motivacional, através da criação de estratégias de experienciação multi-sensoriais e lúdico-pedagógicas.

 


© Texto por Nuno Reis / Glocalmusic, todos os direitos reservados